Os absurdos continuam! Elias Vaz denuncia processos de compra de 150 mil quilos de bacalhau para as Forças Armadas

Depois de identificar processos para aquisição de 714 mil quilos de picanha, 80 mil unidades de cerveja e 1,3 milhão de quilos de carvão, Elias Vaz encontrou documentos com bacalhau, conhaque e uísque e está discutindo com parlamentares do PSB a instalação de CPI das compras do governo

O deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) divulgou novos processos identificados no Painel de Preços do Ministério da Economia. Desta vez, para a aquisição de 9.748 quilos de filé de bacalhau e 139.468 quilos de lombo de bacalhau para as Forças Armadas. “O lombo é o corte mais nobre do bacalhau, usado para pratos requintados e caros em restaurantes sofisticados, algo muito distante do cardápio da maioria dos brasileiros”, explica o deputado.

A denúncia vem depois da divulgação pelo deputado de processos de compra de 714 mil quilos de picanha,1,3 milhão de quilos de carvão e 80 mil cervejas, inclusive marcas como Heineken, Stella Artois e Eisenbahn. Os produtos são destinados às Forças Armadas. “É revoltante saber que esses processos correram em plena crise, quando falta o básico para muitas famílias e os recursos deveriam ser aplicados no combate à pandemia”, afirma Elias Vaz.

Suspeita de superfaturamento

Ao analisar cada processo, o deputado constatou indícios de superfaturamento. Um dos pregões é para a aquisição 1.195 quilos de bacalhau salgado eviscerado, ou seja, a peça inteira, sem cabeça e pele, para o Comando da Marinha. O preço estipulado por quilo é de R$86,88.

“Os valores causam estranheza porque na peça vem tudo, não só a parte nobre, não justifica o preço estipulado. Além de ser um luxo inadmissível para ser pago com recursos públicos, ainda há sobrepreço. Esse dinheiro deveria ser aplicado na Saúde e na Educação e não nessas regalias”, destaca o parlamentar. Outro exemplo é o processo para compra de 40 quilos de bacalhau desfiado para o Comando do Exército ao custo de R$127,93 o quilo.

Os preços também chamam a atenção em outros casos. O valor informado por quilo de picanha foi de R$ 84,14 (num processo para compra de 13.670 quilos), obtido por meio do Pregão Eletrônico n° 37/2019, concluído em 29 de janeiro de 2020 e conduzido pela Diretoria de Abastecimento da Marinha. Já em outro processo, de 62.370 quilos de miolo de alcatra, o quilo custa R$82,37.  

O valor da Bohemia Puro Malte que consta no processo já homologado é R$4,33 e o preço para o consumidor comum, em uma busca rápida por supermercados, é R$2,59, diferença de 67%. A lata de Skol Puro Malte tem valor no processo de R$4 e no varejo a R$2,49, indicando superfaturamento de 48,6%. O governo também está comprando Stella Artois de 550 ml por R$%9,05, mais caro que os R$6,99 do supermercado. A diferença é de 29,4%.  “Se não bastasse comprar bebida alcoólica com dinheiro público, os preços praticados são abusivos”, reforça Elias Vaz.

O deputado também identificou processo de 660 garrafas de conhaque para o Comando da Marinha, que também é o beneficiário da compra de 10 garrafas de uísque 12 anos. Outro processo é destinado a comprar 10 garrafas de uísque 12 anos para o Comando do Exército.

CPI

Elias Vaz está discutindo com um grupo de mais nove parlamentares do partido a apresentação de pedido para instalar na Câmara Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as compras do governo federal. Além de Elias, Alessandro Molon (RJ), Lídice da Mata (BA), Aliel Machado (PR), Bira do Pindaré (MA), Camilo Capiberibe (AP), Denis Bezerra (CE), Gervásio Maia (PB), Marcelo Nilo (BA) e Vilson Luiz da Silva (MG), todos do PSB, assinaram representação entregue ao Tribunal de Contas da União e à Procuradoria Geral da República pedindo investigação das compras.

Na PGR, o documento já foi distribuído para o procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, que participou, em 2016, da Operação Greenfield, responsável pela investigação de fundos de pensão. “Nos próximos dias, vamos fazer um complemento da representação, informando também as irregularidades relacionadas ao conhaque e ao bacalhau”, explica Elias Vaz.