Em defesa da Educação

A decisão do governo de cortar recursos da Educação é totalmente equivocada e, ao contrário do que se pensa, afeta muito mais que o ensino superior. Pode chegar ao ensino fundamental, atingindo áreas como o transporte escolar e a merenda, que dependem de verba da União. Todos são prejudicados quando a Educação não é prioridade.

Fui aluno da Escola Técnica Federal de Goiás. Eram tempos difíceis, não tinha dinheiro sequer para o ônibus. Só concluí o curso de técnico em eletromecânica, em 1985, porque era gratuito. Trabalhei na área por 10 anos. A Escola, que já era referência pela qualidade de ensino, se expandiu, tornou-se Instituto Federal de Goiás e atualmente soma 14 campus no Estado, oferece 227 cursos a quase 18 mil alunos.

Outra referência no nosso Estado é a Universidade Federal de Goiás. Fundada em 1960, contribui historicamente para a formação de milhares de profissionais. Atende hoje mais de 30 mil estudantes, somando graduação e cursos de mestrado e doutorado. Também temos o IF Goiano, com 12 campus em todo o Estado, o único Instituto Federal do país que oferece curso de doutorado.

Por trás desses números, estão pessoas que, como eu, tiveram oportunidade. Estão histórias de famílias inteiras, que conseguiram mais dignidade, que realizaram o desejo de ver a filha doutora, o filho professor. São esses sonhos e essas mudanças de vida que o corte de recursos irá impedir.

É criminosa a postura do atual governo de censura ideológica da Educação, adotando uma verdadeira guerrilha virtual, que tenta desqualificar o papel das instituições de ensino superior, com ataques absurdos a reitores, professores e acadêmicos e distorção sobretudo de cursos da área de humanas. Uma seleção de ciências mais e menos importantes, discurso estúpido que remete à Idade Média e não se justifica em pleno século 21.

A UFG e os institutos federais são patrimônio do povo goiano, fazem parte da história de milhares de profissionais. São referência não só no ensino, mas em pesquisa e em projetos de extensão comunitária. Precisamos defender esse patrimônio e retomar a discussão para ampliar o serviço prestado e o acesso do povo à Educação. É hora de esquecer questões partidárias, diferenças ideológicas. A bancada goiana no Congresso precisa se unir a todos os cidadãos de bom senso e assumir o compromisso por um país melhor, defendendo as nossas instituições de ensino superior. (artigo publicado pelo Jornal O Popular)