Elias Vaz quer que Ministro das Relações Exteriores e diretor da usina de Itaipu esclareçam acordo entre Brasil e Paraguai

O deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) protocolou nesta sexta-feira (9) um requerimento na Comissão de Minas e Energia, na Câmara dos Deputados, para tratar das denúncias de irregularidades na renegociação do acordo entre Brasil e Paraguai diante da comercialização de energia gerada pela usina de Itaipu. Em requerimento, o deputado convidou o Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, o diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, general Joaquim Silva e Luna, e o empresário Alexandre Luiz Giordano.

“Os principais envolvidos neste caso devem prestar esclarecimentos o quanto antes. É preciso que a administração pública do Brasil seja transparente. O povo brasileiro precisa ter conhecimento do que está acontecendo e temos que saber até que ponto o nosso governo está envolvido. Não podemos ficar omissos diante desse escândalo”, afirmou o deputado Elias Vaz.  

As supostas irregularidades resultaram em uma apresentação de pedido de impeachment contra o presidente paraguaio, Mario Abdo. De acordo com o jornal paraguaio ABC Color, que revelou as denúncias, Abdo teria pressionado o então presidente da ANDE (estatal de energia do Paraguai), Pedro Ferreira, pela implementação do acordo firmado em ata diplomática no dia 24 de maio deste ano, após pressão do governo do presidente Jair Bolsonaro.

Ainda segundo o ABC Color, o então embaixador paraguaio, Hugo Saguier, teria sido chamado ao Palácio do Planalto em junho para ser informado que o governo brasileiro estaria insatisfeito pelo não cumprimento do acordo de maio pela ANDE. O jornal retratou também que o presidente Abdo teria recorrido ao presidente da estatal para se queixar da situação.

A suspeita envolvendo o Brasil é de que, por trás do sigilo da renegociação, haveria o interesse de favorecer a empresa brasileira Léros Comercializadora, ligada à família de Bolsonaro. A Léros teria contado com a ajuda do empresário Alexandre Luiz Giordano, que é suplente do senador e líder do PSL na Casa, Major Olímpio (PSL-SP). De acordo com a imprensa paraguaia, Giordano teria falado em nome da família do presidente para pressionar pelas mudanças no acordo entre os países.