Deputado pede explicações de gastos milionários com cachês para apresentadores de TV e influenciadores digitais

O deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) encaminhou requerimento ao ministro das Comunicações, Fábio Faria, pedindo informações sobre o pagamento de cachês entre 2019 e 2020 que somam mais de R$2,1 milhões a apresentadores de TV e influenciadores digitais para fazer propaganda do governo. O parlamentar solicitou cópias de todas as ações de merchandising que geraram os pagamentos e documentos referentes às ações de publicidade, bem como os critérios de escolha dos profissionais.
“Apenas três apresentadores da Record receberam R$1 milhão em dois anos. É evidente que estão escolhendo os artistas e jornalistas para destinar a publicidade e isso não faz parte do sistema democrático. Pagar cachês para quem se alia ao posicionamento ideológico do governo não é coincidência”, afirma Elias Vaz. O levantamento foi feito a partir de documentos públicos disponibilizados pela CPI da Covid no Senado.
Entre os escolhidos pelo governo está o apresentador da Record, César Filho, que recebeu R$525 milhões do governo entre 2019 e 2020 para fazer diversas campanhas, de tratamento precoce para Covid a lançamento da cédula de R$200. César foi considerado o garoto propaganda da Reforma da Previdência e, em suas redes sociais, costuma defender o governo.
Outra apresentadora da Record foi beneficiada pela publicidade do governo. Ana Hickman recebeu nada menos que R$411 milhões, inclusive para divulgar a Semana da Pátria e a Reforma da Previdência. Em 2019, a apresentadora postou nas redes sociais foto com o presidente Bolsonaro e declarou: “hoje eu tive a honra de conhecer o meu presidente”. O deputado também identificou pagamentos do governo a mais apresentadores da Record: Luiz Bacci recebeu R$91 mil; Ticiane Pinheiro, 24 mil e Marcos Mion, R$96 mil. Um dos donos da Rede TV também foi contratado para fazer propaganda do governo. Marcelo de Carvalho recebeu R$122 mil.
Influenciadores digitais
A lista de cachês é enorme e inclui influenciadores conhecidos na internet, como ex-participantes do Big Brother Brasil. Um exemplo é Flávia Pavanelli, que recebeu R$42.900 da Oroboro Entertainment Ltda e R$76.712,50 da FKD Comunicação, Propaganda e Marketing Eireli. O pagamento é feito de forma terceirizada, os contratos são firmados com empresas que fazem o repasse aos profissionais.
A youtuber Taciele Alcolea foi outra contratada. Valor do cachê: R$64,3 mil. Niina Secrets, que dá dicas de maquiagem no Instagram, abocanhou R$35 mil. Já João Zoli, ex-participante da Fazenda, da Record, recebeu cachê da FKD Comunicação, Propaganda e Marketing Eireli, que, ao todo, fechou contrato com o governo de R$347.462,50. O valor pago a Zoli não está especificado. “Queremos ter acesso a todos os detalhes. Alguns desses influenciadores ganham uma bolada para fazer três publicações em stories do Instagram, que ficam disponíveis só 24 horas”, conta Elias Vaz.